Sei que isso não tem nada a ver com o assunto principal do blog mas eu não podia deixar passar a oportunidade de apresentar aos brasileiros o melhor rapper da Espanha. Eu sou fã dele há muitos anos e sempre recomendo ouvir as
suas musicas às pessoas que querem aprender o nosso idioma. Obviamente, o rap é rápido e não vai dar para entender tudo na primeria vez que escutar, mas se você pega a letra e coloca a musica não só vai aprender espanhol como também vai descobrir uma verdadeira estrela.




O Kase O é o lider de um grupo chamado Violadores del Verso. Eles pararam de cantar (acredito que vão voltar um dia) e fazem outras coisas por separado. Ele, junto com o Lírico, Sho Hai e R de Rumba transformaram o hip hop na Espanha. Há 15 anos não era um estilo musical relevante no país. Muito pelo contrário. Quando vim morar em Madri e eles faziam algum show tinha de ir bem longe, em salas de tamanho médio, não muito chiques, por assim dizer.

Show de Kase O no WiZink Center de Madri lotado. Foto: Jorge Torres

Show de Kase O no WiZink Center de Madri lotado. Foto: Jorge Torres

 

Os anos iam passando e eles cada vez tinham mais seguidores. Lembro perfeitamente dos primeiros tempos. Eu tinha que procurar as calças mais largas para passar despercibida porque se não iriam me olhar atravessado. O ambiente era muito underground.

Hoje posso ir num show do Kase O como quiser porque ele, junto com os Violadores del Verso, democratizaram esse estilo, aproximaram-no das pessoas que não se identificam exclusivamente com um gênero musical.

Dificil explicar como foi essa evolução e o quanto fico orgulhosa. Kase O e o resto do grupo são de Zaragoza (Aragón). Sempre nomeiam muito a terra deles nas letras e se orgulham de ser de lá sem se sentir superiores aos espanhóis de outros lugares. No ambiente que a gente vive, com o conflito da Catalunha, vale a pena explicar a diferença entre identificação e vontade de exclusão. Aliás, já que falo sobre isso. Não esqueçam: a Catalunha fez parte do Reino de Aragón, nunca foi um pais independente. Nunca.




Voltando ao assunto. O outro dia fui ao último concerto da turnê ‘El Círculo’ que aconteceu na sala WiziCenter de Madri. Ele conseguiu encher o local. 14.000 pessoas cantando as letras antigas e as novas. Show! Quase chorei. Quando morei no Rio de Janeiro, no ano 2016 e passei dificuldades sempre colocava as músicas deles. Os brasileiros que moravam comigo achavam que eu estava louca. O tempo todo tocava em casa algumas letras que são para mim uma Bíblia.

A que mais escutei no Brasil, com muita diferença, foi uma música chamada ‘Billete de ida hacia la tristeza’. “Meu Deus! Como assim? Você no Rio triste?” Devem estar pensando isso, né? 😀 Já disse que nem o Rio nem nenhuma cidade no mundo é perfeita para um expatriado. Pode ser boa, mas não perfeita. Tive muitos momentos de solidão também. Gente ao redor não significa nada.

E então ouvia: “Y es que a esta boca no le faltan vasos, no le faltan besos. Le sobran excesos y también fracasos y vomitinas. Veo a Dios en las esquinas de mi cama, hoy me ha escrito un telegrama: ¡No te rindas! No me rendiré Señor, a ti me debo…”

E a continuação: “Lo mío es crear no destruir, lo mío es cantar y contar y al dolor lo excluyo. Lo mío es regalar, recibir, lo mío es tuyo. Camino por la calle, llorando por dentro, ¿qué importa? Cada año es una enfermedad con 365 síntomas. Busco el cariño en la gente…”

No final sempre me identifiquei muito com as letras deles, especialmente de Kase O, talvez porque os dois somos Peixes e Peixes entende Peixes. Ele fez famosa a frase: “Dime cómo voy a superar esta crisis. La mala suerte de ser Piscis, ser un adicto al whisky” A direferença entre nós é que eu não sou adita ao whisky, gosto mais da caipirinha 😀

A gente tem uns altos e baixos meio exquisitos realmente. Precisamos nos afastar às vezes, fugimos das complicações, somos sonhadores sem remédio, boas pessoas, a nossa luta é arrumar o mundo e fazer o bem. O Kase O diz que é missionário. Eu também! 🙂 Por isso queremos dar e receber amor o tempo todo. A última das frases que ele tem espalhado por ai: “Cuánto más amor das, mejor estás”.

Poderia fazer uma lista de 1.500 motivos pelos que adoro esse homem, mas vou deixar vocês procurarem as suas músicas e escreverem embaixo qual gostaram mais. Próximo objetivo: levá-lo ao Brasil! Será que dá, apessar da diferença de língua?

Kase O e Violadores del Verso são muito conhecidos em vários países da América Latina. Lotam sempre que vão à Argentina, México, Chile, Peru… fico triste que só pela diferença do idioma praticamente ninguém saiba da existência deles no Brasil. Vamos mudar isso, né gente? Me ajudem! 🙂

 

Kase O no último show da turné 'El Círculo' em Madri. Foto: Jorge Torres

Kase O no último show da turné ‘El Círculo’ em Madri. Foto: Jorge Torres

 

Contra a obstentação

Se tem uma coisa que eu não gosto das pessoas, tanto no Brasil quanto na Espanha, é a vontade de aparecer, o gosto pela obstentação, querer mostrar o que eles tem ao invés do que eles são. Muitos não gostam do rap não porque conheçam mas porque asociam com aquela imagem dos mc’s americanos que usam roupas grandes e levam colares de ouro. Tipo MC Catra também.

O Kase O fez uma coisa na sua gira ‘El Círculo’ que eu acho simplesmente sensacional. Ele usa um colar de plásticos para mostrar que não está nem ai com a americanização (ou norteamericanização) da vida e da música. Sempre adorei esse tema, industrias culturais. Nos invadem a través da gastronomía (McDonalds, etc) e de esse tipo de coisas ridículas.

Poderia ter um iPhone mas tenho um Samsung. Poderia ter um carro mas uso transporte público. Poderia ter uma bolsa da Michael Kors, mas a minha preferida comprei no mercado nordestino do Rio de Janeiro. E por ai vai… “No es hacer, no es tener es ser”. Lembrem sempre!



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